{"id":2415,"date":"2024-02-14T17:58:33","date_gmt":"2024-02-14T20:58:33","guid":{"rendered":"https:\/\/barralparente.com.br\/?p=2415"},"modified":"2024-02-14T17:58:34","modified_gmt":"2024-02-14T20:58:34","slug":"o-brasil-e-a-industrializacao-verde-estadao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/barralparente.com.br\/eng\/o-brasil-e-a-industrializacao-verde-estadao\/","title":{"rendered":"O Brasil e a industrializa\u00e7\u00e3o verde (ESTAD\u00c3O)"},"content":{"rendered":"
Neste momento, abre-se uma enorme janela de oportunidade para a recupera\u00e7\u00e3o do setor<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n Por Fernando Ant\u00f4nio Ribeiro Soares<\/p>\n\n\n\n O Brasil tem um longo hist\u00f3rico de industrializa\u00e7\u00e3o. Durante o s\u00e9culo 20, quando ocorreu o primeiro \u00edmpeto industrializante, houve uma maior participa\u00e7\u00e3o do Estado no processo, tanto mediante pol\u00edticas p\u00fablicas e econ\u00f4micas (prote\u00e7\u00e3o comercial, subs\u00eddios, c\u00e2mbio, cr\u00e9dito, etc.) quanto mediante a atua\u00e7\u00e3o enquanto empres\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n No primeiro momento, ocorrido durante a d\u00e9cada de 1930, o Brasil e o mundo foram assolados pela Grande Depress\u00e3o. Logo em seguida, ao final daquela d\u00e9cada, teve in\u00edcio a 2.\u00aa Guerra Mundial. Ambos os fatores catalisaram os primeiros esfor\u00e7os industrializantes da economia brasileira. Naquele momento, ainda com os bens de consumo n\u00e3o dur\u00e1veis e dur\u00e1veis. Pode-se inferir que este processo, ao inv\u00e9s de estar associado a estrat\u00e9gias e planejamentos estatais, foi proveniente das dificuldades de importa\u00e7\u00e3o no per\u00edodo, tanto pela escassez das divisas necess\u00e1rias \u00e0s compras externas quanto pela dificuldade de oferta de bens e servi\u00e7os no mercado internacional. Pode-se resumir que passamos a produzir domesticamente mercadorias que t\u00ednhamos dificuldade de importar. A princ\u00edpio, a industrializa\u00e7\u00e3o via substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es foi uma necessidade.<\/p>\n\n\n\n Posteriormente, a partir da d\u00e9cada de 1950, mantendo-se at\u00e9 fins da d\u00e9cada de 1970 (leia-se segundo governo Vargas, JK e governos militares), a industrializa\u00e7\u00e3o passou a ser um projeto capitaneado pelo Estado, e n\u00e3o uma rea\u00e7\u00e3o a crises internacionais. Era a efetiva implementa\u00e7\u00e3o do modelo de industrializa\u00e7\u00e3o via substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, com forte influ\u00eancia cepalina, em que a interven\u00e7\u00e3o do Estado no dom\u00ednio econ\u00f4mico, inclusive enquanto empres\u00e1rio, direcionava a industrializa\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n Neste modelo, como assinalado, os instrumentos de pol\u00edtica econ\u00f4mica, em especial o c\u00e2mbio e o cr\u00e9dito, eram francamente utilizados para atender aos anseios industrializantes. Al\u00e9m disso, um vasto protecionismo comercial \u2013 barreiras tarif\u00e1rias e n\u00e3o tarif\u00e1rias, al\u00e9m da pr\u00f3pria administra\u00e7\u00e3o da taxa de c\u00e2mbio \u2013 foi empregado. Quando n\u00e3o era suficiente para gerar os incentivos para a iniciativa privada, o pr\u00f3prio Estado fazia o esfor\u00e7o industrializante por meio da cria\u00e7\u00e3o e constitui\u00e7\u00e3o de empresas estatais, fato esse que foi bem caracter\u00edstico na produ\u00e7\u00e3o de insumos intermedi\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n Esse modelo foi mantido, mas ao final dos anos 1970 e durante os anos 1980 mostrou seu esgotamento. O modelo pressupunha proteger a incipiente ind\u00fastria nacional da competi\u00e7\u00e3o internacional. Era o argumento da \u201cind\u00fastria nascente\u201d. O problema em rela\u00e7\u00e3o a esse argumento \u00e9 que a prote\u00e7\u00e3o deveria ser tempor\u00e1ria, mas este processo j\u00e1 perdurava por mais de 50 anos. Ademais, na frente macroecon\u00f4mica o Pa\u00eds estava em frangalhos. Poderia ser escolhido o problema. Pensemos no maior deles: a crise da d\u00edvida (externa) e seu respectivo efeito sobre os desequil\u00edbrios do balan\u00e7o de pagamentos. N\u00e3o \u00e9 demais mencionar que a infla\u00e7\u00e3o inaugurava a casa dos 100% ao ano.<\/p>\n\n\n\n Dominados pela agenda macroecon\u00f4mica \u2013 resolver os problemas do balan\u00e7o de pagamentos e da infla\u00e7\u00e3o era fundamental \u2013 e algumas tentativas modernizantes da economia (libera\u00e7\u00e3o comercial, liberaliza\u00e7\u00e3o dos fluxos de capitais e privatiza\u00e7\u00f5es), o esfor\u00e7o industrializante foi deixado de lado. T\u00ednhamos agendas mais importantes, inclusive a do resgate social.<\/p>\n\n\n\n Os anos foram passando e chegamos ao s\u00e9culo 21. Um novo tema toma conta da agenda global, principalmente a partir da d\u00e9cada de 2010 ou, mais especificamente, em 2015, com o Acordo de Paris. Era a agenda das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. O meio ambiente se tornou o centro das discuss\u00f5es, influenciando, inclusive, os modelos de desenvolvimento dos pa\u00edses. No Brasil n\u00e3o est\u00e1 sendo diferente, a que pese com nossos movimentos recursivamente mais tardios.<\/p>\n\n\n\n O leitor, neste momento, deve estar se perguntando o porqu\u00ea deste salto: o hist\u00f3rico de industrializa\u00e7\u00e3o brasileira e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Como mencionado no par\u00e1grafo anterior, os novos modelos de desenvolvimento sofrer\u00e3o forte influ\u00eancia das quest\u00f5es clim\u00e1ticas e ambientais. Entramos, finalmente, no core do artigo: como o Brasil pode se posicionar nesta nova condi\u00e7\u00e3o mundial?<\/p>\n\n\n\n O setor industrial brasileiro em grande medida n\u00e3o demonstrou grande capacidade de competi\u00e7\u00e3o com seus correlatos importados \u2013 fato que pode ser comprovado pela acentuada diminui\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o desse setor no PIB. Neste momento, no entanto, abre-se uma enorme janela para a recupera\u00e7\u00e3o do setor.<\/p>\n\n\n\n Os novos condicionantes clim\u00e1ticos demandar\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o de novos bens com menor pegada de carbono. Isso equivale a dizer que, idealmente, os novos produtos do setor industrial devam ser produzidos a partir de energias renov\u00e1veis (produzidos, transportados, comercializados etc.). No Brasil, j\u00e1 convivemos com uma matriz de energia el\u00e9trica que tem aproximadamente 90% de renov\u00e1veis (hidrel\u00e9trica, e\u00f3lica onshore e solar). Na outra ponta, nossa matriz de transporte ainda \u00e9 fortemente calcada em combust\u00edveis f\u00f3sseis, mas h\u00e1 uma enorme possibilidade de avan\u00e7ar em combust\u00edveis renov\u00e1veis: etanol, biog\u00e1s\/biometano, HVO e hidrog\u00eanio de baixo carbono, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n Chega-se \u00e0 seguinte condi\u00e7\u00e3o em que os pa\u00edses que conseguirem produzir bens industriais com combust\u00edveis renov\u00e1veis apresentar\u00e3o uma imensa capacidade de competi\u00e7\u00e3o nos mercados dom\u00e9stico e mundial. Em outros termos, a produ\u00e7\u00e3o de bens a partir de energias renov\u00e1veis \u00e9 uma imensa vantagem comparativa. O Brasil, por seu turno, tem esta vantagem comparativa. Ele tem uma imensa capacidade de produzir a partir de energias renov\u00e1veis, ou seja, temos grandes condi\u00e7\u00f5es de realizar uma industrializa\u00e7\u00e3o verde (podemos citar, como exemplo, os setores do cimento, da siderurgia e da metalurgia). E n\u00e3o s\u00f3 de constituir uma industrializa\u00e7\u00e3o verde, como, de maneira competitiva, ser um dos dominantes neste mercado. A janela est\u00e1 aberta. Cabe-nos aproveit\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n *<\/p>\n\n\n\n PROFESSOR CONVIDADO NA FUNDA\u00c7\u00c3O DOM CABRAL, PROFESSOR COLABORADOR NO IDP, \u00c9 CONSULTOR DO BARRAL, PARENTE, PINHEIRO ADVOGADOS<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n